Há mensagens que dizem muito sem precisar contar toda a história. E, às vezes, uma frase curta no WhatsApp acaba abrindo uma porta para uma história bem maior.
Em dezembro de 2024, o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria sido questionado sobre um possível jantar que envolveria o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro. A conversa começou no dia 8, quando o empresário Flávio Jacques Carneiro perguntou se Vorcaro participaria de um encontro com seu “xará” e o “pai dele”. A resposta inicial foi de desconhecimento: “Não sei do que você está falando”.
Mas a conversa prosseguiu. Carneiro citou “Thiago do Léo”, identificado por investigadores como o publicitário e empresário Thiago Miranda. Foi então que Vorcaro pareceu entender do que se tratava e respondeu: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”.
No dia seguinte, a iniciativa partiu do próprio banqueiro. Em uma mensagem, ele fez um pedido direto: “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Logo depois, veio outra frase que chamou atenção: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.
E é justamente aí que a história ganha contornos de mistério. As mensagens indicam preocupação com a possível divulgação do encontro, mas não comprovam, por si só, que o jantar entre Vorcaro e Jair Bolsonaro tenha efetivamente acontecido. Segundo fontes ligadas à investigação, o “xará” seria Flávio Bolsonaro e o “pai dele”, Jair Bolsonaro.
O episódio, porém, não aparece isolado. Em maio de 2026, Thiago Miranda confirmou à CartaCapital que tentou intermediar um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para 11 de dezembro de 2024, na casa do banqueiro, mas afirmou que o senador não compareceu. O encontro teria relação com negociações envolvendo o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
As relações financeiras também entraram no radar das investigações. Reportagens apontaram negociações envolvendo recursos para o filme, com valores que chegaram a dezenas de milhões de reais, embora haja divergências e negativas sobre a forma como esses recursos foram efetivamente destinados à produção.
Assim, entre mensagens apagadas, encontros que podem ou não ter acontecido e negócios que atravessaram o mundo da política e das finanças, o caso Banco Master continua revelando novos capítulos.
E, neste capítulo, talvez a frase mais reveladora seja justamente aquela que parecia pedir silêncio: “Não fala dessa reunião pra ninguém.”