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Quatro tentativas e uma investigação que ninguém queria deixar no mesmo lugar
Flávio Bolsonaro quer que o caso “Dark Horse” fique com o ministro Mendonça
Por Rádio JB
Publicado em 12/09/2026 15:35
Política

Há investigações que caminham em silêncio pelos corredores do poder. Outras fazem barulho antes mesmo de chegar às manchetes. A que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP) parece pertencer às duas categorias.

Entre 3 e 29 de julho deste ano, a defesa do senador tentou quatro vezes mudar de mãos uma investigação que estava sob a relatoria do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção era transferir o caso para o ministro André Mendonça, que já conduzia outras apurações relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Nas duas primeiras tentativas, os advogados bateram à porta do presidente do STF, Edson Fachin. Nas duas seguintes, recorreram ao próprio Dino. O argumento era direto: se Mendonça já cuidava de investigações ligadas à produção cinematográfica, faria sentido que também assumisse o inquérito sobre a possível utilização de recursos públicos na realização do filme.

Mas, por trás da disputa sobre quem deveria conduzir o caso, havia uma história muito maior.

A investigação mira a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora responsável pelo filme. No caminho, aparecem ainda os R$ 62,8 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro, além de suspeitas envolvendo recursos que teriam sido destinados a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O roteiro ganhou um capítulo mais contundente na quinta-feira (10), quando a Polícia Federal deflagrou uma operação com 49 mandados de busca e apreensão. O objetivo: investigar a possível existência de um esquema de desvio de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora.

No cinema, quando a história começa a ficar complicada, costuma-se trocar o diretor, mudar o cenário ou reescrever o roteiro.

Na vida real, porém, uma investigação não muda de mãos apenas porque outro ministro já conhece personagens, documentos ou episódios relacionados à trama.

E é justamente aí que as quatro tentativas da defesa ganham peso. Não se trata apenas de escolher quem conduz uma investigação, mas de decidir em quais mãos ficará um caso que reúne política, dinheiro público, emendas parlamentares, uma produção cinematográfica e personagens que circulam pelos mais altos níveis do poder.

Enquanto os pedidos percorriam o Supremo, a investigação avançava por outro caminho.

Até que a Polícia Federal bateu à porta.

E, quando a polícia chega, já não é mais apenas uma questão de quem segura a caneta. É sobre o que os documentos encontrados podem revelar.

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