A cada novo documento, o caso Banco Master ganha mais personagens, mais perguntas e mais espaço no palco político. Na noite desta sexta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e retirou o sigilo de uma nova leva de processos relacionados à investigação.
Desta vez, entre os nomes que aparecem nos documentos estão os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI), além de Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro.
O movimento amplia o mapa de uma investigação que já deixou de ser assunto restrito aos gabinetes de Brasília. Conforme os documentos vão sendo conhecidos, novas conexões políticas surgem — e, com elas, uma sucessão de versões, explicações e cobranças por respostas.
A vez do “Dark Horse”
Mendonça também levantou o sigilo de outros 39 processos envolvendo o Banco Master. Entre eles está a investigação que alcança o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), no contexto do financiamento do filme Dark Horse.
A decisão do ministro, porém, veio acompanhada de uma ressalva. Mendonça fez questão de registrar que os processos não têm relação com o tema previsto para a sessão extraordinária do STF marcada para a próxima terça-feira.
“Anoto, inicialmente, que referidos processos não guardam relação com o objeto da pauta da sessão extraordinária a realizar-se na próxima terça-feira”, afirmou.
Ainda assim, segundo o ministro, não havia impedimento para que os sigilos fossem levantados.
E assim, quase como quem abre uma porta apenas o suficiente para deixar a luz entrar, Mendonça ampliou a quantidade de informações públicas sobre o caso.
São mais 39 processos, mais nomes e mais peças para um quebra-cabeça que está longe de ser montado por completo. Em Brasília, onde cada documento pode ganhar uma interpretação política antes mesmo de ser lido até o fim, a retirada do sigilo não encerra a história.
Ao contrário: abre mais um capítulo.