Era 14 de dezembro de 1983. Pouco depois das 19 horas, o corretor de imóveis Antônio Nelso Tasca, então com 42 anos, deixou Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, rumo a Chapecó. Ao volante de sua Volkswagen Brasília amarela, percorria uma estrada que conhecia bem, cercada por lavouras, pequenas propriedades e o silêncio típico do interior.

Naquela noite, porém, uma viagem rotineira se transformaria em uma história que atravessaria décadas.
Segundo o próprio Tasca, tudo começou com uma luz no céu. No início, imaginou que pudesse ser um farol distante ou algum veículo vindo na direção contrária. Mas a luminosidade continuou acompanhando seu trajeto e, pouco a pouco, ficou mais intensa.
Até que a estrada inteira teria sido tomada por uma claridade branca, tão forte que parecia transformar a noite em dia.
Foi então que, de acordo com seu relato, o carro perdeu força e parou. Sobre o mato, a poucos metros de distância, ele teria avistado um enorme objeto ovalado e luminoso.
O medo veio acompanhado da curiosidade. Tasca tentou deixar o veículo, mas afirmou ter sentido o corpo completamente imobilizado. Depois, tudo teria ficado escuro.
Quando recuperou a consciência, dizia estar dentro daquele objeto.
O ambiente, segundo sua descrição, era claro, metálico e de paredes lisas e arredondadas. Havia seres de aparência semelhante à humana, mas com características diferentes, que o observavam. Vestiam roupas justas, tinham olhos grandes e, conforme Tasca, comunicavam-se por telepatia.
Entre eles estaria um ser chamado Agar, que teria se apresentado como habitante de um planeta denominado Agali.
A mensagem, segundo o corretor, não era de ameaça. Era quase um chamado.
Tasca afirmou que os seres lhe mostraram imagens de guerras, destruição e desequilíbrio ambiental. A Terra, segundo a suposta mensagem recebida, estaria se afastando de um caminho de harmonia e espiritualidade. Em seguida, teria visto imagens de um futuro diferente, marcado pela fraternidade e pela paz.
Depois de algumas horas, sempre de acordo com seu relato, Tasca teria sido levado de volta ao mesmo local onde seu automóvel havia parado.
Quando despertou, já era madrugada.
O motor estava desligado. No relógio, porém, havia um detalhe que o intrigaria pelo resto da vida: o horário marcava duas horas e quinze minutos a mais.
A história rapidamente ganhou repercussão. Pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores investigaram o caso, enquanto jornais e programas de rádio do Sul do país passaram a divulgar o relato. Tasca também teria sido submetido a avaliações médicas e psicológicas, sem que, segundo os registros divulgados sobre o caso, fossem identificados sinais de distúrbio mental ou alucinação.
Ele nunca abandonou sua versão.
Sem transformar a experiência em espetáculo, continuou contando o que dizia ter vivido. Mais tarde, escreveu o livro “Eu Fui Abduzido” e tornou-se conhecido entre os estudiosos da ufologia brasileira.
Para Tasca, aquela noite não representava apenas um encontro com seres de outro mundo. Era, sobretudo, uma mensagem sobre o futuro da humanidade.
Os anos passaram. Os debates entre céticos e defensores da existência de vida extraterrestre continuaram. A ciência nunca confirmou que o episódio tenha sido uma abdução alienígena, e o caso permanece cercado de perguntas, interpretações e mistério.
Antônio Nelso Tasca morreu em 2008.
Mas a história ficou.
E talvez seja justamente essa a parte mais fascinante de um relato como esse: quando uma estrada conhecida, uma noite comum e uma luz no céu se encontram, nasce uma história capaz de sobreviver ao tempo.
Mais de quatro décadas depois, a estrada entre Xanxerê e Chapecó continua sendo apenas uma estrada para a maioria das pessoas. Mas, para quem conhece a história de Tasca, aquelas paisagens carregam uma lembrança diferente.
Porque, em alguma noite silenciosa, sob um céu cheio de estrelas, sempre haverá alguém disposto a olhar para cima e perguntar:
E se aquela luz realmente esteve lá?