Há frases que parecem estar sempre chegando, mas nunca chegam. “Vou estar verificando”, “vamos estar encaminhando”, “estaremos transferindo”. E assim, o verbo vai caminhando, caminhando... sem jamais chegar ao destino.
O nome dessa mania é gerundismo, aquele vício de linguagem que transforma uma ação simples em uma promessa interminável. Em vez de dizer “vou telefonar”, aparece o famoso “vou estar te telefonando”. Em vez de “transferiremos sua ligação”, surge o “estaremos transferindo”.
O gerúndio, por si só, não é o problema. Ele tem sua função e indica uma ação em andamento: “Estou trabalhando”, “ela está estudando”. O exagero acontece quando ele é usado desnecessariamente para falar de ações futuras.
A moda se espalhou principalmente em atendimentos telefônicos e ambientes corporativos. E quem nunca ouviu aquela voz do outro lado da linha dizendo: “Senhor, estaremos verificando sua solicitação”?
O problema é que, enquanto o atendente “estará verificando”, o cliente continuará esperando.
No português, muitas vezes, menos é mais. “Vou ligar” é direto. “Ligarei” é claro. “Transferiremos sua ligação” resolve o assunto sem fazer o ouvinte esperar pelo fim da frase.
A língua portuguesa agradece. E o cidadão também.
Porque, convenhamos: se dá para fazer hoje, por que ficar “estando fazendo”?