Dia 20 de julho comemora-se o dia do amigo. Quem inventou que deveria existir o dia do amigo foi um argentino chamado Enrique Febbraro. Acontece que nesse mesmo dia, em 1969, o homem pisou na Lua (dizem os cientistas), evento que foi euforicamente comemorado no mundo todo. Assim, esse argentino começou a imaginar que poderíamos de repente encontrar amigos em outros planetas. Amigos de verdade, talvez até mais fiéis do que os daqui da Terra. Propôs então a criação do dia do amigo nessa data.
Todos nós temos amigos. Poucos, é verdade. Estou falando daqueles amigos com quem dividimos parte da nossa intimidade e às vezes até alguns segredos. Eu e minha esposa temos dois amigos desses. Estou falando de um casal de pastores evangélicos que reside na cidade de Ibiraiaras, a 200 km da nossa casa. Quando minha mãe faleceu, minha esposa passou a viver uma situação de inconsolável tristeza, pois as duas mantinham uma relação afetuosa muito intensa. Pensei: vamos chorar juntos essa imensa dor por algum tempo, mas logo isso vai se transformar em saudade, vamos superar tudo isso. Mas para a minha esposa a tristeza só aumentava. Preocupado e sem saber lidar com o problema, contei isso por telefone para o amigo Nilson Doneda. E ouvi dele: “Eu e a Mari estamos indo para a casa de vocês agora, para ficar quantos dias vocês precisarem”. E foi a presença do Nilson e da Marivone que nos confortou. Jamais esqueceremos. Esse casal de amigos conseguiu mesmo transformar nossa tristeza em saudade.
Uma amizade é algo de altíssimo valor. É um tesouro que devemos guardar com extremo cuidado. Lembremos a poesia de Milton Nascimento e Fernando Brant: “Amigo é coisa pra se guardar/Debaixo de sete chaves/Dentro do coração/Assim falava a canção que na América ouvi/Mas quem cantava chorou/Ao ver o seu amigo partir/Mas quem ficou, no pensamento voou/Com seu canto que o outro lembrou/E quem voou, no pensamento ficou/Com a lembrança que o outro cantou/Amigo é coisa pra se guardar/No lado esquerdo do peito/Mesmo que o tempo e a distância digam: Não/Mesmo esquecendo a canção/O que importa é ouvir/A voz que vem do coração/Pois seja o que vier/Venha o que vier/Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar/Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”.
Quem cultiva uma amizade verdadeira sabe muito bem do que estou falando. Um amigo verdadeiro pode contribuir decisivamente para o fim da nossa solidão, para a recuperação mais rápida da saúde quando estamos enfermos, pode ajudar-nos a sair da depressão ou ainda evitar que tomemos decisões erradas como um negócio mal feito, uma atitude de vingança contra alguém etc.
Já fiz sacrifício para ajudar um amigo. Gastei do meu dinheiro, enfrentei os perigos do trânsito, passei sono, frio, tomei chuva etc. E alguns dos meus amigos fizeram até mais do que isso por mim. Tenho ouvido histórias de pessoas que arriscaram a vida por um amigo.
Claro que uma pessoa não chega ao ponto de entregar a sua vida por um amigo de forma consciente e voluntária. Pode até arriscar a vida para salvá-lo de um acidente, pode até morrer ao tentar livrá-lo de um assaltante; todavia, se soubesse com certeza, antes de tentar defendê-lo, que iria morrer, não o faria.
Mas há um amigo que representa uma exceção em relação a todos os outros, pois saiu em nossa defesa mesmo sabendo previamente que iria morrer, e pregado numa cruz. Só Jesus foi capaz de fazer isso por nós (Mt 15.13). Ele é nosso amigo especial. E não precisamos buscar encontrá-lo na internet, nas igrejas, em lugares especiais, em outros planetas ou na Lua; Ele está do nosso lado a todo instante. Basta apenas abrirmos nosso coração e desejarmos com sinceridade ser seu amigo. Deus abençoe os amigos!