O histórico Madame Satã, uma das casas noturnas mais tradicionais de São Paulo, já viu de tudo. Mas talvez nem a sua longa experiência com a fauna noturna paulistana estivesse preparada para o que aconteceu no Halloween de 2023: uma festa organizada por Daniel Vorcaro em que o problema, aparentemente, não era falta de convidados — era excesso de mulheres.
Realizado em 31 de outubro, o evento reuniu 120 mulheres e apenas 20 homens. Uma matemática que, em qualquer outro ambiente, poderia ser comemorada como um fenômeno estatístico. Numa festa, porém, virou um pequeno drama logístico.
O próprio Vorcaro parece ter percebido o descompasso. Em uma conversa com o ex-ministro Fábio Faria, resumiu a situação com a objetividade de quem olha para uma lista de convidados e percebe que a planilha perdeu o controle:
“Cara, tem 120 mulheres e 20 homens. Tô tendo que tirar mulher porque não tá cabendo.”
Não estava cabendo. Eis um problema que poucos organizadores de festa costumam enfrentar: ter de administrar o excesso de mulheres porque o salão, aparentemente, não acompanhava a demanda.
Faria ajudava a organizar a lista de convidados homens, enquanto o promoter Tiago Polo cuidava de atrair as mulheres. Era quase uma operação de equilíbrio demográfico, como se a festa fosse uma conferência internacional em que alguém tivesse esquecido de observar a distribuição das delegações.
As mensagens fazem parte de um relatório da Polícia Federal e foram divulgadas pela revista Piauí. Em outra passagem, elas mostram que Vorcaro teria estabelecido um critério específico para as convidadas: queria “só menina nova”.
No fim, o Halloween no Madame Satã acabou produzindo uma cena que parece saída de uma crônica sobre os bastidores da noite paulistana: enquanto uns se preocupavam em conseguir homens para completar a lista, outros tentavam descobrir onde colocar tantas mulheres.
O problema, naquele 31 de outubro, definitivamente não era falta de gente. Era matemática — e espaço físico.