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Polícia Federal aponta triangulação financeira entre Emendas Parlamentares, ONG e filme de Bolsonaro
Entre emendas, cinema e R$ 700 mil: a triangulação que entrou no radar da PF
Por Rádio JB
Publicado em 10/09/2026 15:12
Notícias Gerais
Há histórias em que os números parecem contar mais do que os personagens. É o caso da movimentação financeira que levou a Polícia Federal a investigar uma possível triangulação envolvendo emendas parlamentares, uma ONG, empresas privadas e a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações do site Metrópoles, a PF suspeita que recursos públicos tenham percorrido um caminho sinuoso até chegar ao núcleo ligado à produção do filme.
No centro da investigação está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama e que recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares. De acordo com a Polícia Federal, o instituto transferiu R$ 700 mil para duas empresas pertencentes ao grupo econômico do empresário Heric Fabiano Dias.
A história ganha outro capítulo quando entra em cena a NTT Brasil Ltda., também administrada por Heric Dias. Posteriormente, a empresa transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment Ltda., produtora que tem Karina da Gama como sócia e o deputado federal Mário Frias como produtor executivo.
É aí que os números chamam a atenção dos investigadores. Os valores são próximos. As operações ocorreram em sequência. E, para a PF, o encadeamento das transações levanta a possibilidade de que recursos públicos tenham retornado ao círculo ligado à própria presidente do ICB, com mecanismos que poderiam ter ocultado ou dissimulado a origem do dinheiro.
A própria Polícia Federal, porém, faz uma ressalva importante: os elementos analisados não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT Brasil tenham vindo diretamente dos recursos recebidos pelo ICB.
Ainda assim, segundo o relatório, a coincidência dos montantes e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes. Isso porque, naquele momento, o objeto financiado pelo termo de fomento ainda não apresentava execução substancial. Em outras palavras, havia dinheiro entrando, dinheiro saindo e uma distância curta entre as movimentações — combinação suficiente para despertar a atenção dos investigadores.
A investigação ganhou corpo nesta quinta-feira (10/9), com a deflagração da Operação Make Up, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Karina da Gama e Mário Frias foram alvos da operação.
Outro número ajuda a dimensionar o tamanho da movimentação. Relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a Go Up Entertainment movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
Nesse intervalo, a produtora recebeu dinheiro de diferentes remetentes. Entre eles, aparecem a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e o próprio deputado federal Mário Frias, que transferiu R$ 645,4 mil.
No papel, são empresas, contratos, transferências e contas bancárias. Na investigação, porém, cada cifra passa a ser uma peça de um quebra-cabeça.
E é justamente aí que a história deixa de ser apenas sobre cinema, política ou emendas parlamentares. Passa a ser sobre o caminho percorrido pelo dinheiro — e sobre a pergunta que a Polícia Federal agora tenta responder: tratou-se apenas de uma sequência de operações financeiras independentes ou havia, por trás delas, uma engrenagem destinada a fazer recursos públicos percorrerem um circuito e retornarem ao mesmo núcleo?
A resposta ainda depende do avanço das investigações. Por enquanto, o que existe são suspeitas, movimentações consideradas atípicas e um rastro financeiro que colocou no mesmo roteiro uma ONG, empresários, um deputado e a produção de um filme.
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