O Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma investigação para apurar a atuação da OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, em um concurso que utilizou inteligência artificial para localizar possíveis sítios arqueológicos na Amazônia.
A apuração envolve o Open to Z Challenge, lançado em maio de 2025, que ofereceu prêmios de até US$ 250 mil para participantes que identificassem locais arqueológicos ainda desconhecidos utilizando ferramentas de IA da empresa.
A iniciativa foi alvo de críticas da Sociedade de Arqueologia Brasileira, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e da Advocacia-Geral da União. Segundo os órgãos, o projeto teria desconsiderado normas que regulam pesquisas arqueológicas e não consultou comunidades indígenas e tradicionais sobre o uso de informações relacionadas a seus territórios.
De acordo com o MPF, o concurso também pode ter utilizado o trabalho voluntário dos participantes para aprimorar modelos de inteligência artificial e representaria um risco ao patrimônio cultural brasileiro, ao possibilitar a divulgação de coordenadas de sítios arqueológicos ainda sem proteção legal, tornando essas áreas mais vulneráveis a saques e exploração ilegal.
Em nota, a OpenAI afirmou que está comprometida com o desenvolvimento responsável da inteligência artificial e informou que vem colaborando com as autoridades brasileiras. A empresa destacou que o Open to Z Challenge utilizou apenas dados públicos e recursos de IA para apoiar pesquisas científicas, sem incentivar ou envolver o acesso físico a áreas protegidas.